domingo, 10 de setembro de 2017

Arq o que?

Arq o quê? É bem possível que boa parte dos estudantes e graduados em Arquivologia já se depararam com esse tipo de expressão, quando indagados sobre o que estuda ou estudou na universidade. Pois é, muitos não conhecem, e quando descobrem que existe o curso de Arquivologia, questionam se de fato é necessário estudar quatro anos ou mais para se aprender arquivar papéis. A partir desses questionamentos buscarei, explicar com base no que aprendi no curso de arquivologia na Universidade Federal do Espírito Santo, utilizando alguns dos diversos materiais acadêmicos apresentados aos alunos no decorrer da graduação.
Desde já afirmo que esse vídeo não será suficiente para apresentar todas as peculiaridades do curso de Arquivologia, assim buscarei trazer à tona o que julgo como mais importante para aqueles que buscam informações sobre o curso, ou aqueles que simplesmente gostariam de entender um pouco mais sobre o universo da informação.
Acredito que o básico a maioria das pessoas tenham noção do que se trata, pois, a estrutura do termo deixa claro seu significado. Arquivo +logia = estudo dos/sobre os arquivos e o fenômeno que os produz.
Mas antes de mostrar o que é Arquivologia precisamos entender o objeto estudado por essa ciência, deste modo se faz necessário explicarmos resumidamente o que é arquivo.
Segundo Bellotto um dos principais referenciais teórico no Brasil sobre o assunto, arquivo são conjuntos documentais produzidos, recebidos e acumulados por entidades públicas ou privadas no exercícios de suas funções.
O  dicionário terminológico de arquivologia, criado pelo arquivo nacional traz quatro definições de arquivo.
O primeiro é, Conjunto de documentos produzidos e acumulados por uma entidade coletiva, pública ou privada, pessoa ou família, no desempenho de suas atividades, independentemente da natureza do suporte.
O segundo, Instituição ou serviço que tem por finalidade a custódia, o custódia processamento técnico.
A terceira definição é Instalações onde funcionam arquivos.
E a quarta, Móvel destinado à guarda de documentos.
Quando lançamos mão da definição de Belloto e da primeira definição do dicionário terminológico de arquivologia, percebemos que há algo em comum, as duas trazem o termo documento no corpo do texto, deste modo podemos visualizar que o objeto de estudo da arquivologia,  o arquivo, como documento ou conjunto documental, apesar das outras definições no dicionário terminológico, também serem objetos de estudo da arquivologia, é possível concebê-lo como objeto essencial para entendimento da arquivologia como ciência.
Então, o arquivo pode ser documento, porém “documento orgânico”, essa organicidade é formada pela estrutura de relações entre os documentos e seus produtores, ou seja, os documentos produzidos precisam reproduzir algum tipo de atividade individual ou coletiva, desempenhada por seus produtores, para se caracterizarem como documento de arquivo.
Ex: O setor de Recursos humanos de qualquer empresa, produz documentos relacionados a funcionários, são eles: cartões de ponto, listas de frequência, lista de entrega de equipamentos, contra-cheque, dossiês compondo documentos pessoais de cada  funcionário, além de relatório de pagamentos, e outros.
Esses documentos possuem relações que ligam funcionários a empresa em questão e são produzidos para desempenharem atividade de controle nos processos administrativos da empresa, deste moldo podemos dizer que existe uma relação de organicidade entre documento de arquivo, produtor e usuário.
O que está em questão é a relação entre documento e produtor e usuário, pois como afirmei posteriormente os documentos de arquivos carregam características que apresentam as atividades de seus produtores para servir seus usuários potenciais.
Pois bem, a Arquivologia é a ciência que estuda essas relações, além do universo informacional que envolve informação a informação orgânica, seja ela física ou digital. O profissional de arquivologia precisa pensar além do suporte, pois o produto principal do seu trabalho é a informação, a qual trataremos em outro vídeo.
Quando falamos de Arquivologia estamos falando de um conhecimento milenar que tinha como objetivo principal a preservação da memória das civilizações antigas. Em xxxx no período da revolução francesa, é criado o primeiro Arquivo Nacional, que colaborou para criação de políticas, sobre o tratamento da informação. O objetivo da criação do arquivo era dispor num único lugar as informações relevantes para o povo. No Brasil em 1922, há registros sobre o primeiro curso com viés técnico para formação de profissionais que atuavam no arquivo nacional, a partir da década de 1970 foram criadas as primeiras associações, em 1976 foi criado o primeiro curso de Arquivologia no Brasil e o dispositivo legal que de fato alicerçou  os cursos de graduação na área, foi instituída no Brasil somente em 1978 pela lei 6.546, que dispunha sobre a regulamentação das profissões de arquivista e técnico de arquivo.
Quando falamos em legislação não podemos deixar de falar de LAI, sancionada em 18 de novembro de 2011 e o decreto 7.724 de 16 de maio de 2012 que dispõe sobre o acesso a informação. Esses dispositivos legais reafirmaram a importância dos documentos para os setores público e privado, tendo em vista seu potencial informativo. Deste modo se fez necessário a formação de profissionais que subsidiassem as demandas geradas com o direito ao acesso.
É bom lembrar que antes de conceber o conceito de Arquivologia como estamos aprendendo hoje, já existia a preocupação em tratar e guardar a informação para a posteridade. O desenvolvimento da Arquivologia, veio por meio de diversos construtos teóricos e metodológicos. Podemos destacar o princípio da proveniência, que é o princípio de respeito aos fundos, ou seja os documentos de um produtor não devem ser misturados com documentos de outra origem; a partir do princípio da proveniência, foi construído o princípio da ordem original, que focava nos conjuntos documentais e a maneira que eles são alocados, de acordo como são produzidos, entre outras discussões teóricas a mais atual é  o records  continuum que surgiu na Austrália e que hoje é discutido em vários países.
Podemos também citar alguns autores importantes, que ajudaram a construir as bases teóricas de arquivologia são eles: Theodore Roosevelt Schellenberg, Jean-Yves Rousseau e Carol Couture, Hilary Jenkinson, Samuel Muller, Johan Feith e Robert Fruin, Heloisa Leberalli Bellotto.
Em se tratando da arquivologia, podemos perceber que não lidamos apenas com papéis velhos ou caixas de arquivo, a discussão é antiga e já produziu grandes referenciais para o tratamento da informação como conhecemos hoje.
Com o desenvolvimento tecnológico a muito ainda que ser discutido, pois os sistemas analógicos e digitais de informação carecem de profissionais que de fato entendam a informação em sua essência.
A arquivologia é uma ciência interdisciplinar que se relaciona com áreas como: história, administração, biblioteconomia, museologia, ciência da informação e outras. Na grade curricular do curso de graduação em arquivologia da UFES, universidade em que sou formado, é possível perceber a interdiciplinaridade que está intrínseca ao curso.
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Quando se trata de uma ciência devemos estuda-la para entender o objeto de estudo que faz parte do corpo teórico que a compõe, tratá-la com minimalismo, no conduz ao erro de não estudar as possibilidades em sua estrutura teórica e prática.

Deste modo quando lhe perguntarem arq o que diga com todas as sílabas: Ar-qui-vo-lo-gi-a, e reafirme a importância dessa área do conhecimento e o profissional que nela atua. 

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